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domingo, 1 de abril de 2012

Amor repentino


Toda manha, ela ia no mesmo ônibus.
Quase sem querer, encontrava as mesmas pessoas, sentadas em vossas cadeiras, como se todas ali tivessem o nome de seus donos.

O cobrador, sempre movido de sua animação matinal, a cumprimentava com um bom dia animado, ao entregar-lhe o troco da passagem. Deveras ele a presenteava com uma bala "um doce, para uma moça encantada".

A menina, nao aparentava mais do que seus 16 anos;

Quando chegava ao meio do onibus, se deparava comigo, com um livro em mãos e parava para tentar descobrir qual seria a obra.

Quando ao fundo do onibus chegava, ela então parava de sopetão, a olhar aquele moço bonito que se balançava ao som de uma musica aos fones.

Dali ela nao passava.
Como uma barreira invisível.

O garoto olhava pra ela e ela nao tinha coragem de retornar seu olhar. Desviava a cabeça, como se algo mais importante chamasse sua atenção.

Dali a mais dois ou tres pontos, chegaria o destino do moço bonito.

E entao só o veria novamente, só na próxima manha. Mas para ela, ja bastava para desabrochar um sorriso encantador em seu rosto, daquele primeiro amor que nunca acaba.

domingo, 25 de março de 2012

Qual o teu caminho?


‎-Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? - quis saberAlice


-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.


-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.


-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.


(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas) 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Malucos somos todos nós


Alice: "Aqui parecem todos malucos."
Gato Cheshire: "É verdade, eu também sou maluco…Completamente maluco."
Alice: "Eu não."
Gato Cheshire: "Claro que és. Se não fosses maluca não estavas aqui."

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Tá ai uma verdade.
Cada um com suas maluquices. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Aceitou com timidez o convite, de dançar pela primeira vez.

-Ela teimou e enfrentou o mundo, ao som dos bandolins.

Ele segurava suas mãos e a fazia girar. Os pés moviam-se sozinhos, acompanhando o ritmo das batidas.

-Menina mulher da pele preta, dos olhos azuis e sorriso branco.

E quando a música terminava, um saia para um lado e outro pro outro. A música afastava os pensamentos dela e os problemas dele.

Até que se foram. Ele procurar por outros braços para lhe segurar, e ela, voltava a sua monotonia.

-Você tá sempre indo e indo, tudo bem. Dessa vez eu já vesti minha armadura

Tudo que gostaria era ser levada pela dança no contorno das notas, sem contar com o próximo passo.

Impessoal. Assim se tratavam, cada um tinha seus interesses. Ao mesmo tempo que se davam tão bem, um não conhecia o outro.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Guarda-Chuva


Mamae, tem algo errado com meu guarda-chuva.
o nome diz "Guarda-chuva", mas toda vez que abro ele, a chuva nao se vai embora, sendo guardada.

E vejo que não é só o meu que está com problemas, porque na rua todo mundo tentar guardar a chuva quando ela começa, e tenho a impressao que demora mais ainda a passar.

Ou os guardas-chuvas estão todos com problemas, ou a chuva é muito esperta pra fugir de todos nós.

Esperta ela não?